quinta-feira, 4 de agosto de 2022

daysecabralatriz: O que te move na vida e na arte?

daysecabralatriz: O que te move na vida e na arte?: O desejo e a vontade de viver, de aprender e me aperfeiçoar sempre. De me arriscar para alcança...




O desejo e a vontade de viver, de aprender e me aperfeiçoar sempre. De me arriscar para alcançar meus objetivos pessoais e profissionais. A vida vale a pena ser vivida. E quando se tem amor e paixão ao que se faz tudo parece ser mais fácil de ser executado e conquistado.Se a motivação vem de dentro, os obstáculos a realização de um desejo são facilmente destruídos.Mas é preciso ser determinado e perseverante, ser disciplinado para cumprir metas. Ir atrás de conteúdo e conhecimento para  se aprimorar.Praticar e exercitar sempre.Releiam.

Eu já fui uma atriz cerebral e intelectual demais. Graças aos cursos nas áreas de “dança e cinema”, aprendi a ser uma atriz mais intuitiva, sensorial e espontânea. Uma atriz mais orgânica e visceral. Prossigo lendo, estudando e conhecendo teorias sobre atuação, mas não me agrada mais aceitar métodos ou regras fixas que não permitem  flexibilidade quando o tema é interpretação.  Tenho procurado a inspiração para criar e atuar no que vejo no meu cotidiano, buscar inspiração na matéria humana da vida real.  

Como na “dança”, busco uma expressão corporal mais simples, intensa, e econômica na gestualidade e sentimentos.  Criar explorando a simplicidade do gesto, da palavra, do silêncio é o que mais tem me interessado. Explorar bem a respiração e o relaxamento corporal para ficar mais disponível e sensível para a criação e expansão na hora de atuar. Meu empenho tem sido investir em uma linguagem corporal mais orgânica, espontânea mais próxima da nossa realidade.Claro que se faz necessário a um artista ter ampla cultura, curiosidade intelectual, domínio de idiomas, estar atento ás informações do mundo que o cercam para ser crítico e reflexivo no que diz respeito às relações de poder e mudanças que ocorrem na sociedade. 

Conhecimento é importante, e ter conteúdo para estruturar uma boa pesquisa ajuda a ter material humano para se construir um personagem. Mas confesso que, recentemente estou mais interessada em me afastar da técnica e trabalhar mais com a intuição, o improviso, o inesperado, os impulsos e o que possa resultar da comunhão e troca de energia entre os atores e atrizes em cena. Dependendo da área de atuação, sem descuidar do intelecto, insisto em dizer que cada artista deve investir em um preparo corporal e vocal para deixar seu corpo estimulado e aquecido para a criação

Há muitos trabalhos corporais que podem ajudar neste preparo, e cada um deve escolher o seu de acordo com as suas necessidades e dificuldades. Eu escolhi a "dança flamenca" para o meu preparo corporal e como um suporte criativo, porque este estilo de dança me ajudou a educar e aperfeiçoar o meu corpo para explorar suas potencialidades físicas e emocionais. Mas há outras propostas interessantes como mímica, pantomima, contato improvisação, canto, bioenergética, kundaline, yoga, danças circulares,  pilates, eutonia, técnica Alexander.O importante é que independentemente do treino corporal escolhido,  cada artista deve utilizar este preparo para alargar sua capacidade interpretativa em cena.

Li , estou estudando os conteúdos e recomendo sobre atuação, corpo e expressão corporal:
 O papel do corpo no corpo do ator. Sonia Machado de Azevedo. Editora Perspectiva. São Paulo.2004.

Klauss Viana, do coreógrafo ao diretor. 
Joana Ribeiro da Silva Tavares. Editora Annablume. Brasília. DF:CAPES.2010.

Trabalhar com Grotowski, sobre ações físicas. Thomas Richards. Tradução Patrícia Furtado de Mendonça. Editora Perspectiva. São Paulo.2012.

A Porta Aberta: reflexões sobre a interpretação e o teatro. Peter Brook. Tradução de Antonio Machado. 7ª. Edição. Editora Civilização Brasileira.2011

domingo, 20 de fevereiro de 2022

O corpo presente e ausente






Paredes Y adelas - acasadosfotográfos




















Dança é expressão teatral.Como já disse em vários de meus posts.Dança é encenação. Se não há conteúdo a transmitir pela emoção, pela expressão corporal, pelos sentimentos não me interessa estar envolvida com dança. Mas como encontrei no flamenco a possibilidade de me expressar com sonoridades e silêncios como no teatro por esta dança a abracei.











Dançar com os acessórios flamencos como abanico,chapéu,mantón e bata de cola  exige por parte dos alunos e alunas disciplina, esforço, atenção e muita paciência para treinar e repetir até a exaustão os exercícios praticados em sala ao lado de seu professor. A bata de cola é um acessório e um complemento feminino que embeleza não só o baile como o figurino flamenco.Os homens também dominam com muito talento, criatividade e elegância este acessório flamenco que antes era um privilégio só das mulheres. Bailaores que dominam a BATA DE Cola David Gutiérez,David Romero e Manuel Linan.



Eva Yerbabuena - a cuatro voces

Eva Yerbabuena é a bailaora que mais me inspira.Uma das poucas que sabe desfrutar e coreografar pelo cante flamenco. Os melhores shows e espetáculos de flamenco tem cante e baile em perfeito equilíbrio.Detesto muito barulho.O taconeo tem que ter seu momento no baile, assim como o cante e a guitarra.







Empreender transforma 2

Atuar e dirigir meus próprios projetos é a possibilidade que encontrei de buscar conhecimento e experiência prática contínua em teatro. E viver de minha arte. Vivências que vão agregar mais valor ao meu trabalho como diretora e atriz e profissional de teatro e flamenco. Gosto de desafios. E vencer obstáculos. Estou sempre lendo, estudando e me aperfeiçoando. Quero crescer mais  na área teatral e terei humildade para aprender o que ainda não sei. Reconhecimento  e visibilidade só vem com trabalho árduo e estudo. Por este motivo me entrego sempre 100 por cento em meus projetos. Acredito que de todas as artes cênicas  o teatro é o veículo que mais possibilita o embate  entre o homem e a sociedade. É o principal espaço de OPOSIÇÃO. É o espaço sagrado onde nós artistas podemos fazer críticas,oposição e dizer não.  


De novo, vou falar de teatro. Porque amo tanto fazer teatro, e o que o teatro representa em minha vida. Para trabalhar com teatro você não pode ter “medo”. Não pode ter “frescura”. É entrega. É sacrificio. É doação. É disciplina. Como o corpo é nosso principal instrumento de trabalho, atores devem estudar continuamente para adquirem a técnica. Para desenvolverem uma técnica de atuação. Como na vida, a arte também está evoluindo constantemente em idéias,valores e convicções. Fazer arte é um desafio permanente, e nós artistas vivemos em constante mutação. 



 


O teatro é uma profissão essecialmente “prática”. Atores precisam estudar e se aperfeiçoarem continuamente. Como atriz eu preciso de experimentação e exercício cênico. Preciso aguçar minha sensibildade artística e  este aperfeiçoamento só vou conquistar se estiver estudando e exercitando meu ofício. Minha formação durante muito tempo foi informal e conquistada em cursos livres, em grupos de teatro amador e por autodidatismo. Mas sempre uma experiência calcada em muito estudo,prática, dedicaçao e disciplina.

A profissionalização fui buscar em 2003. Em 2006 me formei atriz e de lá para cá trabalho em meus projetos pessoais e autorais que envolvem teatro físico, flamenco e dança teatro. 

A dança em particular o flamenco, sempre foi a base para meu trabalho corporal de atriz. É a modalidade de dança que escolhi para minha preparação corporal  de ator para a cena. 

O flamenco tem  me dado sensibilidade, concentração, coordenção, resistência física e muscular, energia e movimento plástico para a cena. E não pretendo abandonar o flamenco. Sempre será minha disicplina corporal para manter meu corpo afinado para atuar e dançar. 



domingo, 5 de setembro de 2021

Dança e corpo expressivo






O flamenco é uma dança visceral que envolve energia, força,  espirito e os  sentidos. O que sempre busquei na dança, especificamente na dança flamenca e tenho conseguido é uma preparação corporal que me possiblite como atriz ampliar  minha sensibilidade  e saber expressar esta mesma sensibilidade através dos movimentos.


O treinamento corporal tem como objetivo romper bloqueios e condicionamentos. O ator atua sempre em primeira pessoa. Quando atua ele transmite suas ideias e sentimentos usando sua própria  experiência de vida(traços, emoções,sensações, sentimentos e instintos). O palco não admite fingimento. Muito menos um corpo desleixado e musculos flácidos. Então é preciso desenvolver flexibilidade e estimular  atitude e força nas ações corporais.O corpo deve ser trabalhado e estimulado para  estar sempre ativo e vigoroso.E a respiração é um dos veículos a serem trabalhados para a criação quando falamos de interpretação.O corpo é sustentado pela respiração.Respirar entre cada movimento ajuda o ator a relaxar e eliminar tensões corporais. Livre destas tensões ele se movimenta com mais liberdade e  fluidez no palco.Para atuar é preciso estar totalmente “relaxado”. 




quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Qual a necessidade do trabalho corporal para atores?

De todas as carreiras, o ator sabe que a sua profissão é a que mais exige  preparação corporal e mental para ocupar a cena. É necessário esforço, dedicação, força de vontade e disciplina para enriquecer não só o intelecto, mas educar o corpo para ampliar e melhorar sua expressividade corporal, vocal  e capacidade de comunicação. Para o ator, comunicação não significa apenas saber usar a voz e saber falar para o público. Tem a ver com energia, gestualidade e expressão física e emocional. Para tirar o maior proveito de seu corpo, que é o seu “principal instrumento de trabalho”, o ator tem procurado os mais diferentes meios e técnicas para preparar seu corpo e voz para a arte da representação. Aulas de canto, yoga, pilates, exercícios ginásticos e respiratórios, balé, bandoneon, música, contato-improvisação, dança. São práticas artísticas benéficas que melhoram não só sua capacidade respiratória, sua postura corporal, seu tônus muscular, como sensibilizam e preparam seu corpo para a ação cênica.



A maioria das escolas de teatro tem em seu programa curricul
ar a disciplina  “expressão corporal”. A finalidade desta disciplina, não é só revelar ao aluno, aspirante a ator o que ele não conhece de seu corpo, mas fazê-lo aprender a reeducar seus movimentos, sua postura, sua flexibilidade e sensibilidade para assim alcançar sua própria consciência corporal e equilíbrio para a atuação. Confesso que ao começar a ter aulas de expressão corporal na escola de teatro, me pareceu estranho e doloroso todo o esforço físico, vocal, muscular e respiratório que a disciplina exigia. Faziamos muitos exercícios físicos desgastantes em sala, como correr alopradamente de um lado para outro, congelar, saltar, pular, dar cambalhotas, parar, gritar, reagir a estímulos exteriores e lidar com objetos materiais que nos eram oferecidos. Com o tempo comecei a perceber a importância destas aulas de corpo e passei a usufruir de seus benefícios. 



Eu lembro que, na época, estava tendo dificuldades corporais para trabalhar com o texto “Navalha na carne” de Plínio Marcos. Eu interpretaria a prostituta Neusa Sueli. A dificuldade não envolvia o entendimento da peça, e não tinha também nada a ver com o trabalho de direção. Tinha a ver com minha expressão corporal e vocal. Ainda não tinha encontrado a postura teatral da minha personagem.  Sua gestualidade.  Estava distraída, com uma concentração deficiente e com a visão e audição pouco treinadas no espaço/universo teatral. Ao longo do semestre, graças ao preparo corporal e vocal nesta disciplina, eliminei estes problemas na atuação e encontrei minha personagem. Seu aspecto físico, sua atitude em face da vida, suas motivações, seu aspecto social e psicológico. Enfim os traços essenciais do personagem para a ação. Neste sentido, dentro da escola teatral, a disciplina de consciência corporal foi muito importante para o meu preparo físico e aprendizado no treino interpretativo.


Aprendi com esta disciplina, a respirar melhor, a ter uma postura mais adequada ao meu trabalho como atriz. Aprendi a me concentrar em cena. No que faço e como faço. Graças a esta disciplina passei a me sentir mais atenta ao espaço que meu personagem ocupa no espaço da trama. Consequentemente meu repertório de movimentos se enriqueceu com este preparo físico. Minha capacidade de audição e visualização se fortaleceram sensívelmente. Não consigo subir ao palco e ficar indiferente ao que está acontecendo nele. Ao menor ruído, gestos e estímulos do ambiente meu corpo reage sensívelmente.
  Com o “corpo treinado e preparado” estou mais predisposta a estabelecer e manter vínculos com tudo o que descubro nos ensaios e com os meus colegas envolvidos no jogo da representação. Enfim, descobri que não é suficiente trabalhar com o intelecto e o conhecimento, se você não tem um corpo estimulado e sensibilizado para exteriorizar o emocional do seu personagem.  Em cena o ator precisa ser despudorado e visceral para criar um ser de carne e ossos dotado de atitude, interioridade e personalidade. Portanto, no seu cotidiano o ator precisa manter seu corpo em treinamento constante. Buscar uma técnica corporal, um exercício (de respiração, relaxamento, concentração, memória, um jogo teatral) para manter seu corpo organicamente sensível, estimulado e motivado em energia para a interpretação.  



Eu comecei meu preparo corporal na dança. Na década de noventa, quando comecei a frequentar aulas de flamenco. Tinha consciência de que “a dança podia ser uma disciplina complementar para a formação e preparação corporal de uma aspirante a atriz para a cena”. Sempre gostei de me expressar com o corpo e trabalhar com música e mímica. 

Sabia que a dança também revela uma teatralidade no movimento, no gesto, na expressão corporal do bailarino. Estudar dança significava para mim a possibilidade de expandir minha expressão corporal para o teatro, enriquecer minha expressão gestual para atuar por meio do trabalho de postura, coordenação, flexibilidade, fluidez. Então, mergulhei de cabeça nas possibilidades que a dança flamenca me oferecia, para me preparar de corpo e alma para o teatro e para a profissão de atriz.